As vezes eu mal sei o que estou sentindo. É que me deixa confusa esse vai e vem de sentimentos. Nunca vou ter certeza do que realmente é, e no entanto nunca saberei descrever isso. Você pode até entender o que eu sinto, mas eu mesma não tenho capacidade alguma de fazer isso. E sabe por que? Porque é difícil demais conciliar o certo e o errado lado a lado. As vezes você me deixa brava, mas ao mesmo tempo, muda totalmente meu humor. Já me fez sorrir tanto. Já me fez chorar tanto. Eu sei que não paro de pensar em alguns minutos que eu tive do seu lado. E falar neles abre um buraco em mim. Então eu evito. Tento sobreviver só com lembranças - as melhores entre elas -, porque eu sei que quando um buraco é aberto no peito, só você pode vir cicatrizá-lo, e eu sei que vai demorar. Sei que doerá até lá e não quero me sentir a beira do precipício, suplicando por um segundo de cura. É incrível como me sinto sozinha diante dessa situação. É torturante olhar pra todos os lados e não encontrar indício algum de felicidade. Fico perdida entre quatro paredes. Tenho apenas algumas fotos espalhadas ao chão do quarto, pra tentar amenizar a solidão. Não consigo sentir você aqui. Não consigo lembrar de você sem ter aquela sensação de que tudo vai desmoronar. Eu sei que preciso de você. Preciso do jeito mais sincero possível. E me desespero a pensar, que as chances sejam mínimas de poder estar do seu lado, sem me preocupar com o amanhã. Será que querer dormir e acordar sabendo que você ainda vai estar aqui é pedir demais? É muito complicado te ver indo embora, sem poder te segurar e dizer o quanto queria que ficasse. É complicado ver as lembranças se evaporando diante de um abraço de despedidas. Me deram uma anestesia pra me desligar de tudo o que me faz sorrir quando vi você partir. To tentando esconder as lagrimas visualmente, tentando esconder a dor que estou sentindo. Mas no coração, elas ainda estão presentes.

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